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Paloma Epprecht e Machado

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Minha energia vem da "Alto Ajuda", com L mesmo, pois vem do Alto, direto do trono de Deus. Sou apaixonadíssima por minhas filhas, amo meus familiares e amigos e sou louca por Educação, Tecnologia e Terceiro Setor

Professora Paloma

2008/11/3

Uma Singela Homenagem à Minha Filha Bianca

O Nascimento

Há exatos doze anos minha vida estava prestes a se transformar definitivamente.

No dia anterior eu havia recebido em casa alguns amigos e parentes para um evento muito especial: O "Chá da Bianca".

Minha gestação havia atingido o oitavo mês havia uma semana.

Minha barriga estava grande e pesada, mas muito bonita. Não tão bonita quanto a pessoinha que dentro dela estava... Minha primogênita Bianca.

Aguardávamos ansiosamente por sua chegada. Um presente de Deus, a despeito das previsões pessimistas de minha médica, que, em função de uma dupla incidência de trombose ocorrida sete meses antes da gravidez, achava que aquela gestação poderia complicar minha saúde.

Lá estava eu, naquela manhã do dia 03 de novembro de 1996. Amanheci sentindo algumas dores... Tão leves, tão delicadas, como a Bianca.

Aparentava uma leve cólica, porém, como eu poderia sentir cólica, se estava grávida?

Minha inexperiência não me permitiu perceber que aquele era o início do trabalho de parto...

Após algumas horas sentindo aquelas leves dorzinhas, notei que o intervalo entre uma dor e outra diminuía a cada novo evento, então percebi que o nome daquela cólica, na verdade, era contração. Meus Deus! Estava chegando a hora!!!

Corremos para o hospital e ao ser examinada: - A Sra. está em trabalho de parto! Afirmou a auxiliar de enfermagem...

Senti muito medo. O que me aconteceria nas próximas horas?

Minha médica estava retornando de uma viagem e por telefone discutiu com a enfermeira a possibilidade de segurarmos por mais algumas semanas aquela gestação, afinal havia apenas 36 semanas que eu estava grávida.

A decisão: eu deveria retornar para casa, permanecer em repouso absoluto e tentar prolongar ao máximo aquele processo de parto que se iniciara.

Contrariando, no entanto, as orientações médicas, continuei passeando por todo o dia, sentada no carro, na companhia de dois primos que moravam em Santos e estavam em casa em função do Chá da Bianca.

Ao final do dia, por volta de dez horas da noite, enquanto os primos eram levados à rodoviária, eu, em casa, sozinha, percebi que aquela dorzinha que me acompanhou o dia inteiro havia se tornado mais compassada.

Notei que algo diferente havia acontecido, e, ao conseguir contato telefônico com minha médica, que estava na estrada, a caminho de São Paulo, retornando de uma viagem ao interior, soube que aquilo que havia acontecido era conhecido como a saída do "tampão". Em outras palavras eu deveria me dirigir imediatamente ao hospital, e a médica se encontraria comigo lá em seguida.

Fiquei bem assustada!

Ao chegar ao hospital, por volta de onze da noite, novo exame e o diagnóstico da auxiliar de enfermagem havia ganho um elemento novo: "franco". Eu agora estava em "franco" trabalho de parto!

Não havia outra possibilidade, senão a de trazer a Bianca ao mundo, naquela mesma noite.

Fiquei apreensiva... O que aconteceria nas próximas horas, minutos?

Fui levada de cadeira de rodas para uma sala e iniciaram-se os preparativos...

Em seguida fui levada ao centro cirúrgico, onde parte da equipe da minha médica, Dra. Zenaide Sueli Alves, me aguardava.

Não demorou muito até que a própria médica chegasse. Após um exame rápido disse que a evolução estava perfeita, e que, pela dilatação constatada, em poucos minutos eu poderia ter um lindo parto natural.

Tive medo. Nunca gostei de sentir dor, embora a dor que eu sentisse naquele momento fosse leve e gostosa...

Disse a ela que não queria parto natural. Queria mesmo a cesárea, conforme havíamos planejado desde o início.

O anestesista, então, passou a me explicar o que aconteceria nos próximos minutos... Mais uma vez tive medo. A agulha era imensa e seria introduzida na base da minha coluna vertebral.

Nunca tive medo de injeção, mas daquele tamanho e naquele lugar!!!

Houve uma pequena complicação na hora da aplicação e eu fiquei apavorada.

A complicação foi rapidamente contornada, e em poucos minutos eu já não sentia minhas pernas, meu abdômen, meu peito.

A equipe passou a se preparar e eu, acordada, não parava de fazer perguntas. Curiosa, como sempre, queria saber tudo o que estava acontecendo. Não queria perder um procedimento sequer.

Minha médica, então pediu para aplicarem morfina em minha veia, para induzir-me ao sono.

Fui ficando sonolenta, com os sentidos bem afetados, mas resisti bravamente até o momento mais esperado da noite, exatamente quando o relógio marcava 00h57...

Minha filha, minha primeira filha, naquele momento, minha única filha. Pesando apenas dois quilos e novecentos e vinte gramas, medindo tão somente quarenta e seis centímetros.

Lá estava ela, respirando, nos braços da médica. Linda!

A médica a trouxe para perto de mim. Colocou-a em meu peito. Não pude abraçá-la, pois meus braços estavam presos por causa da medicação em minha veia.

Não sabia o que fazer! Não sabia como agir...

Lá estava eu diante do maior acontecimento da vida de uma mulher... Eu era mãe! E mãe da criatura mais meiga, delicada, sensível, tranqüila e doce que jamais existiu.

Bianca, minha filha, eu quero que você saiba que você mudou a minha vida. Eu nunca mais fui a mesma depois de sua chegada.

Com você aprendi muita coisa, e continuo aprendendo até hoje.

Você sempre foi a filha que toda mãe sonha, e continua sendo até hoje.

Desejo que você realize cada um dos seus sonhos, e que você seja muito, mas muito feliz.

Nunca se esqueça de que o amor que eu sinto por você é incondicional, e que, não importam as circunstâncias, ou quanto tempo passe, eu sempre te amarei, e sempre estarei pronta para acolher você em minha vida.

Eu te amo demais...

Um beijo especial e único de sua Mãe.

2007/10/15

Votos de Casamento - Mário Quintana

Em setembro fui a um casamento presbiteriano de uma colega de trabalho (muito bonito por sinal!), e fui impactada pelas palavras adotadas pelo pastor ao dirigir o momento em que os casais declaram os votos matrimoniais. Ao término da cerimônia fui procurá-lo e ele esclareceu que tratava-se de um texto de Mário Quintana. Pedi então que me enviasse por e-mail, e passados alguns dias, eis o texto enviado:

 

  • Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
  • Promete saber ser amiga (o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
  • Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
  • Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
  • Promete se deixar conhecer?
  • Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
  • Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
  • Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
  • Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com a própria solidão, que casamento nenhum elimina?
  • Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
  • Sendo assim, declaro-os mais que marido e mulher: declaro-os maduros.

Ao trazer os votos para uma linguagem mais familiar e direta, talvez o pastor tenha conseguido fazer as pessoas entenderem as condições da aliança que os noivos normalmente fazem sem o perceber. Eu me lembro que, enquanto o noivo ia concordando com os votos que o pastor lia, uma tia da noiva, que estava logo atrás de mim, comentava: "A Bia encontrou o homem perfeito"! Sorriso

De fato, o casamento é um ato muito sério, no qual empenhamos nossa palavra em um pacto indissolúvel. Muitas pessoas têm se preocupado tanto com as cláusulas de contratos, quando o assinam, sem perceber que a aliança é um compromisso muito mais sério do que um contrato, e suas "cláusulas", nada mais são, no caso do casamento, do que os votos e promessas que fazem os noivos.

Que as pessoas se conscientizem de seus atos, e assumam as responsabilidades inerentes a cada compromisso assumido. Que as pessoas valorizem a palavra que professam. Hoje em dia, graças a Deus, ninguém é obrigado a se casar, mas se fizerem essa escolha, que o façam com consciência e responsabilidade.

Há aproximadamente 13 anos eu e o Marcos fizemos nossa escolha. Há 9 anos nos conscientizamos dela, e vimos trabalhando (apesar das dificuldades), para não deixar a peteca cair, e mais do que isso, para vivermos plenamente nosso relacionamento de uma-só-carne, com todos os benefícios que ele traz.

Marcos, sei que o perdão é um dos elementos que fazem a diferença em nosso relacionamento, afinal ainda não atingimos a perfeição Sorriso, mas espero que precisemos, cada vez menos, lançar mão desse recurso, utilizando mais os outros que nos estão disponíveis, como: amor, alegria, paz, paciência, fidelidade, boa vontade, domínio próprio, etc.

Beijinhos...

2007/10/9

O Primo Basílio

No último domingo eu e meu marido assistimos ao filme O Primo Basílio, no Cinemark. Como sempre, amei desfrutar da companhia dele, apesar de ter assistido a um filme tão triste....
 
Por abordar a mesma temática da peça Tristão e Isolda (comentada nesse blog) , o efeito que o filme causou em mim foi muito conflituoso.
 
Após absolver Tristão e Isolda pelo pecado da traição, não pude deixar de abominar essa mesma atitude, agora praticada por Luísa e Basílio, dado o terrível estrago que esse deslize representou na vida dos personagens.
 
Eça de Queiroz foi muito duro (e Daniel Filho também) ao discorrer de forma tão triste sobre a desgraça que a traição pode representar na vida de uma família.
 
Embora seja uma crítica à sociedade burguesa e à própria futilidade da vida de Luísa, não pude conter as lágrimas ao ver o que aquela jovem, vazia e ingênua, fez com sua vida e com a de seu marido. Isso sem falar no canalha do Basílio, cuja atitude cafajeste emudeceu meu protesto, tamanha foi minha indignação.
 
Ao ser exposta ao tema por meio de outra abordagem, confesso que fiquei inconformada por ter, de certa forma, apoiado a traição de Tristão e Isolda, em nome do amor... É certo que alguns fatores difereciam substancialmente as duas histórias, dentre os quais, eu destacaria o fato de haver muito amor entre Tristão e Isolda, e pouco entre esta e o Rei Marcos, enquanto na história de Eça de Queiroz, não havia amor entre Basílio e Luísa, mas sim entre esta e seu marido, Jorge.
 
Apesar disso, fiquei com o forte sentimento de que a traição é uma arma cruel e letal à vida de qualquer pessoa, e não posso mais apoiar essa atitude, portanto, Marcos, meu marido e principal leitor, cujo protesto à minha opinião, em relação a Tristão e Isolda, ficou registrado nesse mesmo blog, venho, novamente por meio desse blog, me retratar publicamente, e concordar com sua opinião, de que o domínio próprio e a honestidade deveriam ter prevalecido.
 
Segue o link para a página oficial do filme, no site da Globo Filmes: http://globofilmes.globo.com/GloboFilmes/Site/0,,GFF107-5402,00.html
 
Se houver interesse em assistir, recomendo que não se demore, pois poucas salas ainda o exibem em sua programação.
 
Beijinhos...
2007/9/29

Tristão e Isolda

Eu e meu marido, Marcos Paulo, estivemos, essa tarde, no Teatro Popular do SESI, para assistirmos à peça Tristão e Isolda. Uma tia do Marcos se ofereceu para retirar os ingressos, gratuitos, para assistirmos ao que ela classificou de uma peça muito boa, que proporcionaria muitos momentos de risos.
 
Chegamos às 15h30, e o espetáculo teve início às 16h. A entrada foi meio confusa, pois havia uma mobilização popular logo na entrada do Prédio da FIESP, na Av. Paulista, como uma forma de protesto pela votação da prorrogação da CPMF.
 
Sentamos em um ótimo lugar e aguardamos o início da peça, que entendemos, seria uma comédia.
 
Logo no início, as primeiras cenas revelaram que na realidade se tratava de um drama, e dos bons. Fiquei meio frustrada, pois havia me preparado para uma comédia, mas a beleza da história e a qualidade da produção logo me tocaram, e fiquei emocionada com o drama vivido pelo casal que nutria um amor intenso e proibido.
 
A peça, conforme ótima definição da wikipedia, trata de amor, honra e traição. Achei belíssima a montagem, e saí de lá incomodada com os conflitos vividos pelos personagens, pois tomei partido da causa dos personagens principais, em defesa do amor, e meu marido se posicionou contra Tristão e Isolda, alertando para o perigo de se justificar a traição, em nome do amor.
 
Saimos de lá sensibilizados e filosofamos um pouco a respeito do tema, tomando um açaí na tigela (apesar do frio de SP), no Açaí Summer, no bairro do Ipiranga.
 
No meu entendimento, Tristão e Isolda foram vítimas do amor e do desejo de honrarem sua palavra, ao rei Marcos, de Cornuália. A traição foi fruto da incapacidade de conterem o amor intenso que nutriam um pelo outro. Esse amor, determinado por uma poção mágica que ambos tomaram, condenou seus corações pela eternidade.
 
O olhar do meu marido, no entanto, aponta que o papel de vítima não os eximiria da culpa pela traição, pois tal atitude não pode ser justificada dessa forma. A honestidade e o domínio próprio deveriam ter prevalecido.
 
Recomendo a todos que assistam. Embora direcionado ao público adolescente, conforme comentários de alguns críticos, considero um espetáculo belíssimo para todas as idades, a partir da adolescência.
 
A seguir o link para uma sinopse da peça, que considero mais fiel à versão do diretor Vladimir Capella: http://www.facasper.com.br/cultura/site/critica.php?tabela=&id=96
 
Segue também o link para a sinopse do próprio Teatro popular do SESI, que, por incrível que pareça, distorce um pouco a história contada na peça: http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_tristao.asp#
2007/9/28

EaD na Universidade Metodista de São Paulo

Há muito tempo não publico textos em meu spaces, e hoje retomei esse meio de comunicação para falar de algo que me tocou durante essa semana. Meu relato, entretanto, começará com o resgate de uma experiência de 4 anos atrás.
 
Durante o recesso do mês de julho de 2003, eu e um grupo de cento e vinte educadores da rede pública do ABC, juntamente com alguns professores universitários, nos aventuramos no curso intensivo “Introdução à Docência em EaD”, oferecido pela Universidade Metodista de São Paulo em seu programa “Universidade Aberta de Inverno”.
 
A então equipe do CAPDOC (denominação do departamento de Capacitação Docente da Universidade), sob a coordenação do Professor Jacques Vigneron, conseguiu envolver e aproximar de forma inédita uma grande quantidade de profissionais da educação em torno de um objetivo comum. Essa interação, acredito, marcou a educação pública na região, pois os educadores dos diversos segmentos (educação infantil, fundamental I, fundamental II, ensino médio, profissionalizante, superior, Secretaria Municipal de Educação e Diretoria de Ensino), foram impactados por essa experiência tão rica.
 
Pensar, pesquisar, aprender sobre EaD, vivenciar essa modalidade de educação de forma crítico-reflexiva, sofrer as angústias de quem faz um curso à distância, e deleitar-se no prazer de construir, com muita autonomia, conhecimentos significativos e de forma flexível, livre no tempo e no espaço, solitariamente e em equipe. Tudo isso levantou gostosas inquietações em todo grupo, expressas por uma frase de uma das professoras, durante o segundo encontro presencial “Entrei neste curso com algumas dúvidas, e hoje estou com muito mais, por isso sei que está sendo muito bom.” (Grace L. Pereira).
 
Em um dos e-mails enviados pelo coordenador do curso, ele dizia que “Gostaria que muitos grandes pedagogos lessem os textos de vocês” (Prof. Jacques Vigneron), tamanha era a qualidade das discussões acerca desse tema tão antigo e ao mesmo tempo tão atual, dada a revolução tecnológica e suas interferências diretas na educação como um todo, e em especial na modalidade de EaD.
 
Na ocasião não percebi que a experiência representava um importante passo no processo de estruturação da área de EaD da Universidade Metodista.
 
Hoje, 4 anos depois, tive a oportunidade de conhecer a estrutura dos diversos cursos de graduação oferecidos nessa modalidade. Fiquei impressionada com a preocupação da instituição em relação à qualidade, e isso ficou evidente pela seriedade com que as equipes de profissionais desempenham sua função em cada núcleo dentro da Pró-Reitoria da EaD, desde a equipe técnica e de suporte, até os tutores, professores e coordenadores de cursos. Igualmente me impressionou a qualidade da infra-estrutura, com estúdios de Teleaula bem equipados e toda a tecnologia digital de suporte aos cursos.
 
A retomada do contato com a Universidade se deu a partir de um convite, por parte do Prof. Luciano Sathler, Pró-Reitor de Educação a Distância da Universidade Metodista de São Paulo, para participar do V Encontro de EaD da Metodista. Prontamente aceitei o convite e compareci com parte da equipe que trabalha comigo na Secretaria de Educação e Cultura de São Bernardo do Campo, na seção responsável pelo trabalho com tecnologia em todas as escolas da rede municipal de educação.
 
No encontro, a professora Adriana Azevedo, assessora pedagógica da Pró-Reitoria de Educação a Distância da Universidade Metodista de São Paulo, falou sobre a bem sucedida história da EaD na Instituição, e um fato que me chamou a atenção foi o processo de estruturação da modalidade EaD, que partiu da elaboração do Projeto Político Pedagógico, em 2004, para então ter início o processo de implementação e desenvolvimento do ambiente virtual. Essa ordem dos acontecimentos refletiu diretamente na qualidade da proposta, uma vez que a ferramenta tecnológica foi desenvolvida para atender às necessidades pedagógicas, e não o contrário.
 
Percebi que aquele encontro de 2003 era apenas um pequeno passo na construção dessa história. Percebi que sou privilegiada por ter conhecido de perto e constatado o desenvolvimento bem sucedido desse processo. Percebi, ainda, que, a julgar pela evolução ocorrida até aqui, tudo o que existe hoje em andamento por lá, representa apenas um pedacinho do que há de se transformar esse projeto.
 
Parabéns à Universidade Metodista de São Paulo pela coragem, pela inovação, pelo investimento no futuro da Educação do Brasil.
2006/3/23

A Educação Integral de Anísio Teixeira e a Educação Comunitária de Moacir Gadotti

Em seu relato sobre a Escola Parque da Bahia, Anísio Teixeira propôs um modelo de escola de período integral que oferecesse aos alunos “experiências de educação primária, que revelasse aos seus habitantes a importância da educação para solução de seus problemas de vida e pobreza”.

 

A escola seria dividida em dois espaços distintos: A Escola-Classe seria um espaço de educação formal, inclusive organizado de forma seriada, com grade curricular, etc. O outro espaço seria a Escola-Parque, em que os alunos se organizariam “dominantemente pela idade e tipo de aptidões”, em grupos menores que os da Escola-Classe, para participar de atividades de trabalho, educação física, atividades sociais, artísticas e de organização e bibliotecas.

 

Na Escola-Parque, o aluno teria a oportunidade de participar de forma ativa da comunidade escolar, desenvolvendo competências importantes de cidadania e autonomia, além de vivenciar experiências diversificadas de educação, em oficinas, atividades esportivas, teatro e demais atividades artísticas, etc.

 

Já a proposta de Gadotti, em seu artigo “A questão da Educação Formal/Não-Formal”, é a de que a Educação Não-Formal fosse reconhecida como um importante complemento da Educação Formal, por meio de atividades educativas na própria cidade.

 

Na realidade ele não pretende colocar a Educação Não-Formal em oposição à Educação Formal, pelo contrário, ele pretende aproximar os dois modelos para que de fato a formação dos alunos seja completa e significativa.

 

Não dá para falar em Educação Comunitária sem pensar em Educação Democrática, por isso Gadotti, enfatiza que a Escola Cidadã é parceira da Cidade Educadora. Aliás, ele vai além, sugerindo que uma somente existe graças à existência da outra, isto é, uma Escola Cidadã, participativa, pertencente à comunidade só pode existir se a comunidade também for ativa, que se apropria dos seus espaços e os transforma em Cidade Educadora.

 

Sob essa perspectiva o foco do trabalho da Escola Formal seria o de desenvolver a cidadania em cidadania. Seria criar uma nova cultura em relação ao espaço público, para que de fato este fosse encarado como “público”. Talvez a proposta de Gadotti busque a derrubada dos muros da escola, em um movimento de duas vias, isto é, a escola se empenhe para sair de seu mundo fictício, e entrar no mundo real, comunitário, e a comunidade, por sua vez, se aproprie desse espaço que de fato o pertence, participando de forma ativa em suas ações.

 

Tanto Gadotti quanto Anísio sonham com a Educação Democrática, porém suas propostas se diferenciam no fato de que Anísio gostaria de “criar” uma espaço diversificado de aprendizagem significativa, e para Gadotti não é necessário se criar esse espaço, uma vez que ele já existe, sendo a própria cidade.

2006/3/16

Impressões sobre Educação Comunitária

“Marco Zero” – Educação Comunitária

 

Antes de iniciar minha reflexão, tenho de fazer uma pequena crítica ao título desta proposta. “Marco Zero” apresenta uma conotação um tanto quanto behaviorista. Desde que nascemos já trazemos algum tipo de experiência e a cada dia desenvolvemos nossa estrutura cognitiva, de modo que não é possível precisar quando tivemos o Marco Zero em relação a um conhecimento, portanto gostaria de retificar o título deste texto, talvez sugerindo “Marco Intermediário”, sabendo que ao final do semestre registrarei um novo “Marco Intermediário” em relação à Educação Comunitária.

 

Marco Intermediário – Educação Comunitária

 

É muito interessante escrever sobre Educação Comunitária, pois parece que é algo tão obvio e simples, porém quando temos de pensar em uma definição, um conceito, simplesmente faltam palavras e percebemos que na realidade o que falta, é conhecimento.

 

Educação Comunitária, em um começo de conversa, traz a idéia de educação popular, “do povo, para o povo e pelo povo”. Parece uma educação que não está preocupada em cumprir com um Programa, não está engessada em uma grade curricular, não trata de conteúdo pelo conteúdo. A origem da Educação Comunitária seria a necessidade de melhorar a qualidade de vida dos excluídos, estimulando o desenvolvimento de uma visão crítica do mundo, criando situações para que o cidadão se aproprie de seus direitos e deveres, dando-lhe voz, promovendo a inclusão social de fato. Entretanto, como educadora, não consigo separar muito a Educação Comunitária da Educação Formal, pois a escola também tem a pretensão de formar exatamente esse cidadão descrito nas linhas acima. Então qual seria a diferença entre as duas formas de Educação?

 

Talvez o discurso seja semelhante, mas a prática não. Talvez a Educação Comunitária consiga realizar, o que a Educação Formal apenas sonha. Talvez, o dia em que a Educação Comunitária cumprir sua missão, então ela deixe de existir, pois nesse dia, a comunidade, que em última instância compreende os próprios alunos da escola regular, terá atingido um grau de autonomia tamanho, que de fato terá na escola um espaço privilegiado de Educação... Comunitária.

 

Outra questão que me intriga é: Por que a Educação Comunitária surgiu somente agora (há uns 20 ou 30 anos)?

 

Seria porque alguém tinha que suprir o fracasso da Educação Formal, em relação aos quatro pilares da educação propostos no relatório de Delors – Aprender a Ser, Aprender a Fazer, Aprender a Aprender e Aprender a Conviver? Ou seria porque alguém tinha suprir o fracasso da sociedade das grandes metrópoles, que “desaprendeu” a viver em comunidade, que perdeu alguns valores e princípios, como cooperação, respeito e amor, e hoje vive uma era de descartabilidade?

 

Quando entrei no curso de Educação Comunitária, minha visão sobre este tema era muito estreita, e por isso achava que sabia tudo. Hoje descobri que pouco sei.

 
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